Dois vinhos da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico acabam de ser distinguidos em duas importantes competições, reforçando o reconhecimento crescente da singularidade dos vinhos atlânticos portugueses e da expressão vulcânica da Ilha do Pico.
O Terras de Lava Branco 2024 foi distinguido com Medalha de Prata nos Volcanic Wine Awards 2026, competição internacional promovida pela reconhecida crítica de vinhos Jancis Robinson, dedicada a vinhos produzidos em solos vulcânicos de diferentes geografias do mundo.
De cor amarelo-esverdeada, o Terras de Lava Branco 2024 revela aromas de frutos tropicais e notas cítricas envolvidas num elegante perfil vulcânico. Destaca-se pelo volume, frescura e mineralidade, terminando com um final envolvente, salgado e persistente, características profundamente marcadas pela influência atlântica e pelos solos vulcânicos da Ilha do Pico.
Já o Arinto dos Açores DO Pico 2023 conquistou a Medalha de Ouro no prestigiado Concurso Vinhos de Portugal, uma das mais relevantes distinções do setor vitivinícola nacional.
Produzido a partir da emblemática casta Arinto dos Açores, este branco destaca-se pela sua forte mineralidade, frescura e marcada salinidade, profundamente influenciadas pelos solos vulcânicos e pela proximidade ao oceano Atlântico, elementos que definem a identidade única dos vinhos da Ilha do Pico.
Estas distinções reforçam a qualidade dos vinhos produzidos nos Açores, bem como o posicionamento crescente da região no panorama vínico internacional, onde os vinhos de origem vulcânica têm vindo a ganhar protagonismo junto de críticos, sommeliers e consumidores.
Ilha do Pico: um território único no mundo
A viticultura da Ilha do Pico foi apresentada como uma das mais singulares e desafiantes do mundo. As áreas de produção concentraram-se maioritariamente no concelho da Madalena e no concelho de São Roque, na freguesia de Santa Luzia, sempre a altitudes iguais ou inferiores a 100 metros.
As vinhas desenvolveram-se em condições extremas, plantadas nas fissuras da rocha-mãe, em solos vulcânicos, muito próximas do mar. Entre 50 e 300 metros do oceano, estiveram constantemente expostas à influência da maresia. O mar infiltrou-se por baixo do solo, misturando-se com a água doce da chuva e criando uma água salobra da qual as raízes das vinhas se alimentaram.
Os icónicos currais de pedra, muros construídos pelo homem há cerca de 500 anos, protegeram as vinhas do vento e do sal e criaram um microclima mais quente para as plantas. Esta paisagem vitícola única foi classificada Património Mundial da UNESCO em 2004, reconhecimento reforçado em 2014 com a classificação da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.
Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico: mais de 75 anos ao serviço do vinho
A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico foi fundada em 1949, na sequência da união de um grupo de viticultores conscientes da necessidade de criar uma estrutura que garantisse melhores condições para a viticultura da ilha. Inicialmente dedicada à produção de vinhos comuns e licorosos, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico trabalhou desde cedo com as castas históricas do Pico (Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico), introduzidas pelos primeiros colonos.
A partir da década de 1990, importantes trabalhos experimentais permitiram dar passos decisivos na melhoria qualitativa dos vinhos, com a introdução de novas castas, a renovação das vinhas tradicionais e a modernização tecnológica da adega, sempre em benefício dos cerca de 180 viticultores parceiros.
Texto e imagem: ChefsAgency


