Gastão Reis: MasterChef foi “inesquecível”

Gastão Reis foi um dos 15 finalistas do MasterChef Portugal 2019 que está a ser exibido, aos domingos, pela TVI. O concorrente terceirense assegura que a sua participação no programa é “inesquecível”.

Foi um dos 15 finalistas do programa de televisão MasterChef Portugal 2019. Qual o balanço que faz da sua participação?
Antes de mais quero agradecer todo o apoio que tenho recebido nos últimos dias. Família, amigos, conhecidos, desconhecidos, conterrâneos e não conterrâneos, um muito obrigado a todos.
Em relação há minha participação no programa, acho que o balanço é bastante positivo. O Masterchef é o programa de televisão mais visto em todo o mundo e é um sonho para milhões de pessoas entrar naquela competição, pois eu consegui e só isso para mim já é uma vitória. Não escondo que gostaria de ter chegado mais longe, mas estou contente com a minha prestação e orgulhoso de ter representado os Açores e a minha tão querida ilha Terceira.
Tive a oportunidade de aprender com os melhores, porque não passa cá para fora mas temos muitas formações durante toda a competição e de viver uma experiência inesquecível na qual também fiz grandes amizades.

Como surgiu o seu interesse pela cozinha?
A minha mãe e o meu pai cozinham muito bem e fui habituado desde pequeno a comer de tudo.
O facto de eu ter nascido no Porto Martins “quase com os pés na água” fez com que tivesse, desde muito cedo, proximidade e contato com produtos frescos e de altíssima qualidade. Recordo-me que era raro o dia em que não iam bater à porta lá de casa para perguntar se o meu pai queria polvo, santolas, lagostas, peixe…
Mais tarde era eu que apanhava e trazia alguns destes alimentos para casa. E foi assim que, com o meu pai, aprendi muitas das noções de cozinha que tenho hoje.
Criei, então, uma ligação com os produtos que em muito contribuiu para este meu gosto pela cozinha.
Mas foi quando vim estudar para Lisboa, aos 19 anos, que comecei a cozinhar com mais frequência. Sempre que haviam festas, jantares e aniversários eu era o cozinheiro de serviço, tal como acontece atualmente, mas sempre num âmbito não profissional.

Quais os projetos que tem em curso e pretende desenvolver na área da cozinha?
Neste momento estou juntamente com o Mauro, concorrente do Masterchef, a trabalhar em alguns projetos. Vamos começar já este mês a fazer jantares à porta fechada, por reserve, em vários restaurantes do continente.
Também começámos a gravar um programa em que em cada episódio temos um convidado especial (caras bem conhecidas de todos) que vai cozinhar connosco e temos também mais alguns projetos na área do entretenimento tendo sempre como foco principal a comida.
Além disso, tenho em mente um projeto próprio para ser inteiramente realizado nos Açores, um documentário gravado em todas as ilhas mostrando o que os Açores têm de melhor a nível gastronómico e usando as nossas magníficas paisagens como cenário para confecionar algumas receitas.
Fiquem atentos e sigam a minha página do Instagram do.itGASTRO que é onde podem acompanhar todo o meu trabalho.

Tendo em conta as suas origens terceirenses qual a influência da cozinha açoriana nas suas criações gastronómicas?
Gosto de cozinhar um pouco de tudo mas por razões óbvias tenho preferência por tudo o que vem do mar e mais concretamente do nosso.
Diria que a influência da cozinha açoriana nos pratos que faço está nos produtos e não propriamente nas receitas.
Curiosamente, foi um prato com polvo e uvas do Porto Martins, que me permitiu ser um dos 15 finalistas desta edição do MasterChef.

Na sua perspetiva, qual o caminho que a gastronomia açoriana deve percorrer no sentido de preservar as suas raízes mais também abrir-se mais à inovação?
Na minha opinião só há um caminho que é respeitar o produto. Temos nos Açores uma variedade de produtos de altíssima qualidade que podem perfeitamente estar em qualquer carta de restaurante no mundo inteiro.
Mas custa-me ver a forma como os nossos produtos às vezes são tratados e desvalorizados, não consigo compreender como é que há restaurantes a vender peixe que é importado do Vietnam e de outras partes do mundo quando temos aqui o melhor peixe.
Inovar não é só fazer cozinha molecular, alias, acho que esse não é de todo o caminho a seguir.
O caminho é aprender a tratar bem os produtos, respeitar as épocas e a sazonalidade dos mesmos, conjugar novos sabores, experimentar novos ingredientes, cuidar a apresentação, e principalmente ensinar as pessoas a gostar de coisas diferentes porque há todo um universo para além do hambúrguer e do cachorro.
Enquanto se continuar a apostar nas multinacionais de fast food e a dar mais valor ao que vem de fora, vai ser difícil colocar os Açores no mapa gastronómico.

Entrevista publicada no jornal “Diário Insular” em 18.10.2019

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